LER E ESCREVER COMO EXPERIÊNCIAS COLABORATIVAS
PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTOS EM UMA ESCOLA HOSPITALEIRA DAS INFÂNCIAS
DOI :
https://doi.org/10.47249/rba2025994Mots-clés :
Educação inclusiva; Alfabetização; Letramentos; Crianças e InfânciasRésumé
Este artigo foi construído a partir uma pesquisa de abordagem etnográfica e apresenta o registro de práticas pedagógicas de alfabetização, letramento e educação inclusiva, desenvolvidas no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Imersas em um contexto escolar transformador, objetivamos apresentar experiências de ensino e aprendizagem mediadas pela linguagem, explicitar as possibilidades de construção de uma escola aberta à diferença e contribuir com a produção de conhecimento sobre a relação intrínseca entre a alfabetização, o letramento e a educação inclusiva. Selecionamos seis práticas com a linguagem, desenvolvidas por nós, professoras da Instituição, e as descrevemos de forma precisa e contextualizada, articuladas com referencial teórico coerente com o trabalho apresentado. Os aportes teóricos e metodológicos para abordarmos as concepções de linguagem são as proposições do Interacionismo Sociodiscursivo de Bronckart (2007), cujas bases são atribuídas ao Interacionismo Social de Vygotsky (2005; 2006) e à Teoria do Discurso de Bakhtin (2003). Discutiremos os conceitos de alfabetização e letramentos com base em Soares (2010, 2021), Smolka (1999; 2001), Geraldi (2001), Kramer (2011), Kleiman (1995). As práticas pedagógicas inclusivas, por sua vez, serão abordadas a partir das proposições de Mantoan e Lanuti (2022, 2021, 2018), Lanuti e Ramos (2023) e o conceito de inclusão será problematizado à luz das proposições de Derrida (2003). O presente texto tem um caráter propositivo, no sentido de destacar práticas de leitura e escrita desenvolvidas junto às crianças, em uma perspectiva inclusiva, na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de uma escola pública. Isso posto, podemos inferir que, por meio de ações fundamentadas em uma perspectiva interacionista de linguagem, mostramos que é possível construir uma educação aberta à diferença. Dessa forma, nosso trabalho também traz contribuições que podem ser incorporadas na formação docente e fomentar novas investigações que articulem o cotidiano escolar, suas práticas com a linguagem e a flexibilização dos processos de ensinar e aprender na escola.
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Publié dans 2025-12-29





